Máquinas
fotográficas
Quase todas as máquinas reflex para
filme de 35mm actualmente à venda oferecem uma qualidade razoável. Desde
as mais modernas câmaras com focagem automática até sólidos modelos mais
antigos que se encontram no mercado de usados, com qualquer uma se podem
tirar belas fotografias. Afinal, o corpo de uma máquina é apenas uma caixa
que não deixa entrar luz senão quando se quer e pelo tempo que se
escolher.
As máquinas reflex são largamente
preferíveis em relação às compactas, porque permitem ver no visor
exactamente aquilo que se vai fotografar, podem usar várias objectivas e
admitem quase sempre a regulação manual dos parâmetros de exposição. Isso
não quer dizer que um pequena compacta não seja muito útil para tirar
fotografias de aniversários ou para alguma viagem em que o espaço
escasseie. Algumas dessas máquinas têm excelentes objectivas com boas
aberturas máximas. Por exemplo, a Olympus mju-II tem uma objectiva de 35mm
f/2.8 com uma excelente qualidade óptica e pesa pouco mais de 200
gramas...
Uma escolha importante a fazer ao
ponderar a compra de uma máquina é a quantidade de ajudas electrónicas que
se quer ter: focagem manual ou automática, medição de luz ponderada ao
centro ou matricial. Uma máquina como a Nikon F5 simplifica muito o
trabalho do fotógrafo porque tem uma focagem ultra-rápida e até distingue
as cores do que se vai fotografar, acertando (dizem) em 99% das sugestões
de exposição. Mas estas características pagam-se caro e se são muito
importantes para um fotojornalista, que tem que aproveitar cada
oportunidade de fotografia que surge num instante, já serão menos cruciais
para um amador com tempo que queira compor calmamente a sua
fotografia.
Se já tiver uma máquina reflex
use-a bem antes de pensar em comprar outra. Mas, se vai mesmo comprar uma
máquina, saiba que opções é o que não falta. As marcas com maior quota de
mercado, a Nikon e a Canon, oferecem uma excelente qualidade e uma enorme
variedade mas também se fazem pagar (e bem) pela imagem de marca. Outros
fabricantes, como a Minolta ou a Pentax, oferecem uma qualidade semelhante
por menos dinheiro. Mas se quiser comprar uma máquina usada com mais de
dez anos é melhor escolher entre os modelos da Nikon e da Canon: terá mais
acessórios ainda disponíveis e as probabilidades de conseguir resolver
alguma avaria são maiores. Mesmo no mercado de usados, os corpos Nikon são
bastante mais caros, mas uma F2, F3, FM2n ou FE2 em bom estado vale bem o
dinheiro que custa. A Canon tem o atractivo de ter também produzido boas
máquinas fotográficas nos anos 70 e 80, como a excelente F1 ou as boas AE1
ou AT1, que se conseguem por um preço mais moderado uma vez que a marca
mudou o sistema de montagem das objectivas quando investiu na focagem
automática.

Nikon FE2 – uma sólida máquina clássica dos anos 80 que
continua
actual, tal como a Nikon FM2n, que ainda se fabrica e
vende.
Há recursos que devemos exigir à nossa máquina:
fotómetro, possibilidade de escolha manual da abertura e do tempo de
exposição, compensação da exposição automática, previsão da profundidade
de campo e uma boa gama de tempos de exposição, pelo menos entre os 4
segundos e 1/1000 de segundo. Para além destas características, é também
útil dispor de medição através das lentes (TTL) para o flash, de medição
de luz pontual (spot) e da possibilidade de trocar os écrans de focagem. A
focagem automática tornou-se muito comum, mas quem não quiser tirar
fotografias de acção ou de animais em movimento pode dispensar esse
recurso.
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Rui Grilo

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