A
primeira foto realizada no mundo foi obra do francês Joseph
Niepce, em 1826. Após 10 anos de pesquisas ele produziu uma
imagem em positivo sobre uma placa de vidro tratada com cloreto de
prata, após uma exposição de 8 horas.
Hercule Florence
(direita), um francês radicado em Campinas, desenvolvia pesquisas
com a reprodução fotográfica de documentos. Em 1833 ele
conseguiu reproduzir alguns diplomas e rótulos farmacêuticos
através da ação da luz em uma superfície sensibilizada.
Niepce foi o primeiro, mas quem realmente desenvolveu a técnica
da produção de fotografias foi outro francês: Louis Daguerre.
Em 1837 ele apresentou a primeira foto feita por um daguerreótipo
(foto à esq.), parafernália que produzia imagens sobre uma chapa
de cobre revestida de prata e sensibilizada por vapores de iodo,
sendo a imagem “revelada” através da exposição aos vapores
de mercúrio.
Também em 1835, na Inglaterra, William Fox Talbot desenvolveu uma
técnica de produção de fotografias. O sistema produzia um
negativo em uma placa de vidro, que poderia ser reproduzido
infinitas vezes, enquanto o daguerreótipo produzia uma única
imagem positiva. Talbot melhorou seu processo químico e denominou
o produto final de calótipo, que foi a base de toda a fotografia
moderna.
Apesar das vantagens do calótipo durante a década de 1840 o
daguerreótipo imperou, devido à maior nitidez e à sua rica
apresentação, com as fotos em estojos de ouro e veludo, que
fascinaram a imaginação popular.
Em 1851 o inglês Frederick Scott Archer inventou o processo do
colódio úmido, obtendo-se negativos com maior nitidez que os do
calótipo. Este processo desbancou o daguerreótipo, por ser menos
dispendioso e produzir várias cópias a partir do negativo.
Richard Madox, em 1871, desenvolveu a emulsão gelatinosa, uma película
sensível a luz e flexível, a base de gelatina e brometo de
prata, que poderia ser usada em placas mais finas e em rolos, o
que veio a facilitar o manuseio das películas e causou uma revolução
no formato e no tamanho da câmeras fotográficas.
Os
pioneiros
O surgimento da fotografia desencadeou uma revolução
nos costumes da época. Quem antes queria um retrato pintado por
um artista plástico famoso, queria agora o mesmo retrato só que
feito com a moderna tecnologia da fotografia. De olho neste
mercado emergente, os que dominavam a técnica da fotografia começaram
a concorrer com os pintores, fazendo fotos de pessoas famosas e
importantes, dando início ao que se chamou a “era dos
retratos”.
Um dos expoentes desta geração foi Nadar. Caricaturista e
escritor, Nadar se interessou por fotografia em 1853 e ficou
celebre pelos antológicos retratos dos artistas e escritores da
época, entre eles Baudelairee Sarah Bernhardt (foto).
Além da simples reprodução da natureza, alguns fotógrafos começaram
a questionar os aspectos estéticos da nova tecnologia.
Influenciados pela pintura começaram a desenvolver pesquisas que
buscavam uma linguagem própria para a fotografia, um estilo que a
legitimasse também como obra de arte.
O sueco Oscar Rejlander foi um dos criadores da manipulação
fotográfica. Para elaborar a obra "As duas formas de viver a
vida" utilizou dezesseis modelos e trinta negativos para
conseguir o efeito desejado . Robert Demarchy foi outro fotógrafo
que interferia nos registros fotográficos. Influenciado pelos
impressionistas usava técnicas variadas fazendo riscos e
arranhões nos negativos para conseguir efeitos especiais nas
fotos.
A vocação documental da fotografia logo se materializou nos
trabalhos de Roger Fenton na guerra da Criméia e Alexander
Gardner na guerra da secessão nos Estados Unidos. Alfred
Stieglitz organizou em 1902 o movimento fotossecessionista, cujo
objetivo era conferir dignidade a uma profissão que na época não
era das mais respeitadas. Stieglitz se notabilizou por suas fotos
arrojadas e abstratas das ruas de Nova Iorque e Paris