Fotografia e a
Tecnologia
Até o presente
momento as vendas de filmes Kodak permanecem estáveis. As de outras marcas,
idem. No mercado fotográfico global, a venda de filmes se compara á venda de câmaras
convencionais, 21%. Os serviços de revelação, tanto para o amador, quanto
para o profissional, 38%. Já a fotografia digital ocupa 5% deste mercado,
embora o índice de vendas de câmaras digitais tenha dobrado.
Aparentemente, o filme, apesar de sua demanda mercadológica, ainda conserva
vantagem significativa sobre a tecnologia digital na captação de riquezas de
detalhes e na respectiva qualidade final.
Com certeza deve haver mais de um gigabyte de informação em cada fotograma
revelado que não há maneira do escaner, ou outros meios, por mais evoluído
que seja, de registrar toda sua gama.
Apesar das quatro maiores industrias fotoquímicas (Kodak, Fuji, Agfa e Konica)
estejam há mais de uma década envolvidas com a imagem digital, ainda não se
esqueceram de seus produtos tradicionais.
De fato, investir em pesquisa e desenvolvimento de filmes neste novo século,
assemelha-se como tentar melhorar o clássico projeto de motor a diesel. Mas, as
industrias ainda continuam apostando no seu aprimoramento.
A tecnologia digital tem demonstrado ser o meio de atender novas necessidades,
com maior velocidade. Mas, por outro lado não tem atendido sua premissa básica
de mercado: custo.
Embora o filme, cujo princípio a base de sais de prata, exista há mais de 160
anos, ainda se utiliza apenas 20% de sua capacidade total. Estas novas pesquisas
têm buscado o aprimoramento, tanto da sensibilidade cromática, quanto física
dos filmes, minimizando ao máximo sua granulação e melhorando
exponencialmente sua definição. Para tanto, os pesquisadores já adentraram no
universo atômico. Estas melhorias são prioridade, pois a questão da
sensibilidade á luz deverá continuar sendo o calcanhar de Aquiles das câmaras
digitais.
Em outras palavras, quando os seus sensores de luz são ajustados para
sensibilidade superior ao equivalente ISO 800, passam a gerar distorções nas
imagens produzidas, em forma de ruído. Para filme, constituído de tecnologia
madura e estável, fica mais fácil melhorar sua resposta, em relação aos
sensores digitais. De fato, o maior potencial deste filme está justamente na
alta sensibilidade, permitindo fotografar em ambientes com pouca luz. Por outro
lado, o custo dos investimentos em tecnologia notória, já consolidada é muito
menor em relação ás novas tecnologias emergentes.
A fabricação do filme fotográfico emprega minúsculos cristais de prata, sais
de bromo, cloro, iodo, ou combinação destes.Quando o obturador da câmara é
acionado, não há qualquer efeito visível. Há, entretanto, uma alteração
fotoquímica, já que os fótons reagiram com estes cristais, denominado imagem
latente. A revelação, por sua vez, conclui este processo, reduzindo e
oxidando-os, acabando por transformá-los em minúsculos grãos de prata metálica,
agora visível a olho nu.
A tecnologia do filme em cores, por sua vez, emprega três camadas, cada uma
sensível a uma cor primária: vermelho, verde e azul. Sua revelação implica
em etapas adicionais. Depois que as imagens de prata são reveladas, cada uma
suspensa em sua respectiva camada, os corantes vão se associar a cada partícula
de prata. Em seguida, são submetidos ao branqueador, que por sua vez, dissolve
a imagem de prata, deixando visível apenas os pigmentos coloridos sob ela.
Há 25 anos atrás, pesquisadores da Kodak , em Rochester, NY, desenvolveram
nova tecnologia de cristais de prata, que torna seus respectivos grãos menos
perceptíveis na imagem final. Os grãos tradicionais apresentam
aproximadamente, formato cúbico. Os novos grãos, agora mais finos, possuem
formas de abas mais achatadas conhecidos como grãos “T” ou tabulares.
Apesar de seu menor volume, apresenta a mesma capacidade de captação em relação
aos tradicionais, porque cobrem aproximadamente a mesma área da superfície do
filme.
A introdução dessas melhorias e de outras tecnologias fez que o filme atual de
ISO 800 apresente granulação, contraste, definição e outras características
compatíveis a filme muito menos sensível de uma década atrás.
Quase toda a industria fotográfica já produziu sua própria tecnologia para
reduzir o formato dos grãos. Atualmente, a premissa das atuais investigações
é aumentar o potencial dos grãos isolados de prata de captar fótons.
A princípio, todo fóton que atinge os sais de prata dos filmes atuais se
transforma em um elétron para produzir a imagem latente. Entretanto, há dois
anos os cientistas já anunciavam nova maneira de duplicar o número de elétrons
produzido por cada fóton. Essa técnica capitaliza o fato de que nos filmes em
cores, os fótons são primeiramente transformados em elétrons no conjunto de
pigmentos periféricos, para depois atingirem as moléculas de prata que formam
a imagem.
Estes pesquisadores já desenvolveram moléculas de corantes que, depois de
atingidas por um fóton, liberam dois elétrons para os sais de prata. Ao obter
dois elétrons, o processo possibilita duplicar sua sensibilidade á luz, sem
aumentar o número de grãos de prata, responsáveis pela distorção da imagem.
A tecnologia de dois elétrons está atualmente sendo empregado nas cópias
finais de filmes cinematográficos, em virtude de seu alto consumo imediato e
facilidade de aferir resultados. Deverá em breve chegar aos filmes fotográficos,
potencializando sua capacidade de registrar ainda mais a eterna verossimilhança.
Enquanto houver demanda de mercado, os filmes irão continuar sendo pesquisados
e aprimorados. Tanto na sua qualidade técnica, como na necessidade de redução
de custos, já que as novas conquistas tendem a diminuir cada vez mais o teor
dos sais de prata. O filme convencional ainda tem muito potencial a ser
explorado.