Controlando
o contraste com os filtros Multigrade Ilford
A
maior ferramenta que o fotógrafo de P&B tem hoje para controlar o contraste
e os tons da fotografia são os filtros graduados, que são usados na ampliação
do negativo.
Para sabermos que filtro usar, devemos proceder a uma análise do negativo que
vamos ampliar.
Em um artigo anterior, sobre controle de contraste, falamos que o contraste
aumenta conforme vai subindo o número do filtro e vice-versa, ou seja, o mais
alto contraste é obtido com filtro de número 5 e o mais baixo com filtro de número
00.
Tendo isso em mente, analisaremos então o nosso negativo. Com a luz do laboratório
acesa, veja o negativo contra um fundo claro. Evite olha-lo contra a luz.
Experimente contra azulejos, a base do ampliador, uma parede. Como esse é um
procedimento que exige prática, pode parecer difícil a principio fazer a análise,
mas logo você estará familiarizado e escolhendo o filtro certo ou próximo
deste para iniciar os testes.
Um negativo de normal para suave é aquele que não apresenta muito contraste
entre claro/escuro. Ele não tem áreas muito densas nem muito transparentes.
Para esses negativos tente começar com filtro 2 ou 2_ (dois e meio).
Acostume-se a partir de filtragem mais baixa e ir aumentando. Fazendo isso você
estará evitando ficar “viciado” em contraste e com isso perder meios tons
importantes da foto. Analise os resultados e veja se é melhor aumentar mais o
filtro, ou aumentar mais o tempo de exposição.
Mesmo bastante familiarizado com o uso dos filtros, é sempre bom experimentar
bastante, variando filtro e tempo de exposição. São impressionantes as
nuances que temos variando-se apenas meio grau na filtragem.
Se tivermos um negativo muito suave e sem contraste (plano) devemos proceder a
escolha de um filtro mais alto em contraste, por exemplo o filtro 4 ou 4 _. Aqui
vale lembrar que quando você passa do filtro 3_ para o filtro 4, deve-se
aumentar o tempo de exposição do papel em pelo menos 60%. Esse novo tempo pode
ser usado com os filtros seguintes 4_ e 5.
Quanto mais aumentamos o contraste, mais branco teremos, o que nos obriga às
vezes a pequenas correções.
Para um negativo de muito contraste, grande diferença entre claro/escuro, ou
com muita densidade em determinadas áreas, usamos um filtro de grau de
contraste baixo: 2, 1_ , 1, _, até o mais baixo, que é o filtro 00. Aqui também
vale dizer que um aumento de exposição às vezes é bem vindo.
Ao abaixarmos o contraste, por vezes perdemos os pretos, e nesses casos é
necessário um ajuste de exposição para o novo filtro.
Como você deve ter percebido, existe a teoria básica para a escolha inicial.
É muito difícil em um texto deixar claro o que é um negativo suave, um normal
ou um contrastado. Muitas pessoas confundem densidade com contraste. Seu
negativo pode ser denso (muito preto, escuro) e não apresentar contraste dentro
da cena.
Exemplo: imagine que você tirou uma foto de um siri Maria-Farinha (aquele que
é amarelo bem claro, caso você não tenha visto nenhum), andando na areia. O
siri contra a areia não apresenta quase nada de contraste. Temos aí um
negativo plano.
Agora imagine que você tenha ou super-exposto ou super-revelado o filme, e ele
ficou denso, escuro. Apesar desse aspecto escuro e denso ele não tem contraste
no assunto, o siri está praticamente do mesmo tom que a areia.
O que falta aí ? Certo, falta contraste. O excesso de densidade fará com que o
tempo de exposição seja longo e a falta de contraste pedira um filtro de
contraste elevado, alto. Preste muita atenção para não confundir essas variáveis
– contraste x densidade. Veja os outros artigos de controle de contraste. Boa
Sorte.
Retornar Foto Preto &
Branco