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06. FILME FOTOGRÁFICO

 

6.1. Constituição

O filme é constituído por uma base (suporte) e emulsão (solução de dois ou mais componentes químicos), que deverá ser composta por elementos que reajam rapidamente à sua ação, ou seja, ser sensível à luz.

A base (suporte) é um material sobre a qual é aderida a emulsão, podendo ser de vidro, papel ou película de triacetato de celulóide, que já foi abandonada por ser muito inflamável.

Atualmente, utiliza-se o acetato de polivinil nos filmes fotográficos.

A emulsão contém geralmente os seguintes componentes químicos: nitrato de prata (sal), que quando exposto à luz forma minúsculos grãos de prata metálico negro; e uma solução halóide (composto que tem um dos seguintes elementos: cloro, bromo ou iodo), que confere maior sensibilidade à luz.

6.2. Características dos Filmes

Sensibilidade

A sensibilidade de um filme, seja P & B ou a cores, é a rapidez com que sua emulsão é impressionada pela luz. Esta condição de maior sensibilidade (filmes rápidos) ou menor sensibilidade (filmes lentos) é classificada em vários padrões:

- ASA (American Standard Association)

- ISO / BS (British Standard ou Din / Deutch Industrie Norrm)

Sensibilidade dos filmes:

Ø Filmes de baixa sensibilidade : EKTAR ASA 25

Ø Filmes de média sensibilidade : FUJICOLOR ASA 100

Ø Filmes de rápida sensibilidade : EKTAR ASA 1000

A escolha de um filme deve ser feita levando-se em consideração todos os fatores para que a imagem seja gravada exatamente da forma que desejamos e para que a informação que estamos querendo transmitir chegue até os observadores da foto da melhor forma possível.

Sendo assim, é preciso levar em consideração as condições de luz no momento de fotografar, o nível de contraste e o nível de definição de imagem desejados. Controlando tais fatores, você terá a possibilidade de melhorar incrivelmente o nível técnico e artístico de suas fotos.

Devemos utilizar filmes mais sensíveis quando vamos fotografar uma peça teatral ou um show que impossibilitam o uso do flash. Ou então quando estamos fotografando protozoários vivos no microscópio e temos que congelar o movimento dos mesmos, utilizando velocidades rápidas.

Em boas condições de luminosidade, recomendamos que você fotografe sempre que possível com filmes de baixa sensibilidade para aumentar a qualidade técnica de suas fotografias (gerando ampliações livres de granulação). Os filmes mais sensíveis só devem ser usados quando as condições de luz forem muito precárias ou quando você desejar obter efeitos de suavização da imagem ou grão relativamente grande.

Podemos "puxar" um filme, ou seja, em ambientes com pouca luz você pode informar para a câmera que o filme utilizado é até no máximo 3x mais sensível, após fotografar informe esta mudança ao laboratório para que faça a revelação manualmente.

A câmera deve ser informada da sensibilidade correta do filme utilizado, as câmeras eletrônicas modernas reconhecem automaticamente por códigos de barras, a sensibilidade do filme e o número de exposições do mesmo.

 

Se em uma câmera mecânica você fotografa com um filme ASA 100 e o dispositivo da câmera que controla a sensibilidade estiver ajustado para ASA 400, as fotos ficarão super expostas.

 

Granulação ou Grão

A camada sensível (emulsão) é um depósito de minúsculos grãos de halogeneto de prata e quanto maior o tamanho dos grãos de prata, menor a quantidade de luz para sensibilizar a emulsão e vice-versa.

Apesar de microscópicos, os grãos de halogeneto de prata aparecem na fotografia quando ampliamos bastante a imagem negativa, este inconveniente se dá em forma de impressão por

granulação.

Quanto mais sensível o filme, maiores os grãos de halogeneto de prata, resultando em ampliações maiores com granulação aparente.

 

Poder de Resolução

É a propriedade de reprodução dos menores detalhes mais íntimos com toda a nitidez.

Quanto mais lenta a emulsão (ex.: ASA 25), melhor serão reproduzidos objetos fotografados.

As emulsões rápidas ou de grão maior têm um poder de resolução menor, na proporção conseqüente do tamanho do grão de sais de prata.

Latitude

Toda a emulsão sensível tem uma latitude, que é a propriedade de compensar, dentro de certos limites, os erros de exposições, permitindo negativos aproveitáveis. Quanto mais lenta a emulsão, menor é a latitude, e quanto mais rápida, maior é a possibilidade de obtermos negativos satisfatórios, mesmo com grandes erros de exposição.

Os filmes positivos (slides) não permitem erros de exposição, pois registram fielmente na película as condições da fotometria.

 

6.3. Filmes em Preto e Branco (P & B)

6.3.1. Contraste do Filme P & B

É a relação da escala das diferentes tonalidades entre o branco puro e o negro absoluto, obtidos depois de revelado o filme. Se uma determinada emulsão tem a propriedade de oferecer uma larga escala entre o preto e o branco, denomina-se SUAVE (negativo suave). Se pelo contrário, essa escala é curta, denomina-se CONTRASTADA (negativo contrastado).

Ficando entre as duas é denominada NORMAL (negativo normal). Podemos variar o contraste alterando a exposição inicial ou a revelação posterior. Os filmes do tipo "LITO", produzem contrastes extremos.

Exemplos de filmes P & B: ILFORD PAN F PLUS - ASA 150/100/125/400; KODAK T MAX - ASA 25/100; FUJI NEOPAN - ASA 400/1600...

 

6.4. Filmes Coloridos

 

O Processo Colorido

Os processos químicos da fotografia em cores são bem mais complexos que os da fotografia em P &, e só é possível a partir da reunião de três cores básicas : vermelho, verde e azul.

A luz branca, composta por uma combinação dessas 3 cores, pode ser decomposta em cada uma delas, mas também a luz branca pode ser produzida por uma combinação de luzes vermelha, verde e azul que são cores primárias aditivas e a imagem multicolorida (pela mistura de verde, azul e vermelha) é a "síntese aditiva".

A fotografia colorida emprega a "síntese subtrativa" ou seja, utiliza a luz branca e através de filtros cria várias cores. Estes filtros são: o amarelo que subtrai ou bloqueia o azul, o magenta bloqueia o verde, e o ciano bloqueia o vermelho.

Os antigos fotógrafos utilizavam câmeras para fotos em cores, com três "negativos" preto e branco e decompunha os temas em vermelho, verde e azul para depois recambiar as imagens, tendo então uma fotografia "colorida".

O princípio subtrativo, utilizado atualmente nas fotografias coloridas, produz imagens feitas de corante.

Os filmes coloridos compõem-se de três camadas de emulsão semelhantes às usadas nos filmes P & B. Cada camada é convertida numa imagem do corante. A camada superior é

sensível à luz azul, a segunda, à verde e a terceira, à luz vermelha.

Também os filmes coloridos possuem uma base emulsão com diversas camadas: camada antihalo e camada protetora.

Os filmes coloridos possuem pequena latitude. Isto é, toleram apenas erros muito pequenos de exposição, principalmente os filmes reversíveis (para slides), obrigando o fotógrafo a prestar a máxima atenção às tabelas de exposição do flash e ao fotômetro.

 

a) Filme colorido reversível (positivo - slides)ou CHROME;

Após a revelação, obtém-se a imagem positiva. Usado para a confecção do diapositivo (slides). Pode ser copiado ou ampliado em papel, a partir de um internegativo, pode ser copiado diretamente sobre o papel fotográfico do tipo cibachrome. O filme positivo existe em duas emulsões:

Ø Emulsão para "luz do dia"(dayligth )": é indicada para luz do dia e fotografias com luz de flashes.

Ø Emulsão para "luz artificial"(tungstênio): é indicado para fotografias com lâmpadas foto-flood brancas ou lâmpadas halogênicas (temperatura de cor de 3.200 graus K), usadas em fotos de livros, tabelas e Fotomicroscopia.

Existem dois filtros especiais de conversão (azul) que permitem o seguinte: usar o filme para "luz do dia" com luz de tungstênio e usar o filme para "luz de tungstênio" com luz do dia.

 

Exemplos de filmes positivos: EKTACHROME ASA 64/100/200/400; FUJICHROME ASA 50/100/1600; AGFACHROME ASA 100/200...

 

OBS.: Os filmes positivos (CHROME) e P & B são fabricados em bobinas de 36, 24 e 12 exposições e também em rolos de 30 metros (aproximadamente 36 filmes de 36 exposições). Devemos ter um rebobinador e bobinas vazias para rebobiná-lo. O custo é inferior em 50%.

 

ARQUIVAMENTO E CONSERVAÇÃO DIAPOSITIVO (SLIDE)

O diapositivo possui em sua estrutura substâncias higroscópicas não somente na sua camada de formação de imagens como no suporte. A umidade pode provocar degeneração, provocando ao longo do tempo, reações químicas, mudanças na forma do objeto e propicia ainda, o desenvolvimento de fungos (degeneração biológica).

Além da umidade, outro fator importante são os produtos químicos residuais do processamento de revelação do diapositivo especialmente quando o fixador (tiossulfato de sódio) não for adequadamente removido na última etapa da revelação.

Por serem formados de substâncias orgânicas estão sujeitas a deterioração devido a ação da própria luz.

O manuseio incorreto do diapositivo (manipulado com as mãos) pode levar umidade e impressões digitais facilitando o desenvolvimento de fungos e mesmo pequenos riscos no diapositivo.

São fatores importantes na deterioração:

umidade
poluentes ambientais
luz (exposição prolongada)
fungos
revelação inadequada (tiossulfato de sódio)

O filme colorido (diapositivo) é formado por três estruturas, uma sobre a outra - uma base plástica - a emulsão formadora de imagem e um ligante. A conservação do diapositivo requer cuidados especiais uma vez que sua composição básica é formada por substâncias deterioráveis.

Preservação do arquivo de diapositivos

Nos últimos anos verificou-se um significativo avanço na estabilidade dos corantes empregados, comprovados por testes de envelhecimento acelerado, realizados pela indústria e instituições independentes. Contudo, vale recomendar aqui alguns cuidados no sentido de preservar o diapositivo.

Uma das recomendações mais importantes é relativo ao arquivamento evitando-se montar diapositivo em molduras de papelão que absorvem umidade. Usar as molduras de plástico.

Arquivar os diapositivos em armário de aço em estruturas com ranhuras distantes uma das outras possibilitando a ventilação entre eles. As estruturas não devem ser higroscópicas (madeira, papelão, cloreto polivinil PVC).

Quando arquivar diapositivos em cartelas transparentes usar preferencialmente o polietileno ou prolipropileno que não aderem ao diapositivo (ao contrário do PVC) mesmo em condição desfavoráveis de umidade.

Manter a umidade relativa do ar (UR) sempre inferior a 65% usando-se em áreas de grande volume de arquivamento um termômetro higroscópico. Nas áreas de arquivamento menor podemos usar a sílica gel.

Manusear os diapositivos sempre com luvas de algodão. Processamento dos filmes em laboratório de confiança.

Limpeza e remoção de fungos

A limpeza de diapositivos pode ser realizada em laboratório de processamento onde sofrem um processo de limpeza semelhante ao processo final de revelação após a fixação, ou ainda usando produtos químicos produzidos pelas grandes firmas do ramo (Kodak) próprias para esse fim.

A remoção de fungos da superfície podem ser feitas com algodão levemente umedecido com tricloroetano com cuidado e superficialmente passar sobre o diapositivo verificando-se se o mesmo não está sendo solubilizado pelo produto.

O tricloroetano é um composto orgânico tóxico que deve ser usado com cuidado, próximo a áreas ventiladas para se evitar contaminação por inalação.

O diapositivo limpo e recuperado deve ser novamente untado em moldura plástica, utilizando-se sempre luva de algodão no manuseio das transparências.

 

b) Filmes coloridos negativos

Após a revelação, obtêm-se a imagem negativa. É usado para cópias e ampliações em papel.

Podem também ser copiado ou ampliado em preto e branco.

Exemplos de filmes negativos: Ektar- Asa 25/200/1000; Kodak Multispeed Asa 100 a 1000; Fujicolor Asa 100/200/1600; Konica Asa 3200...

 

 

 
 

 

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