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Carambola: Alerta a paciente
renal

A carambola (Averrhoa carambola) é alvo
de uma nova lei em Jaú, a 296 km de São Paulo: os
estabelecimentos de saúde da cidade são obrigados a afixar
cartazes alertando pessoas com insuficiência renal para não
comerem a fruta. A medida se baseia em estudos mostrando que a
carambola tem uma toxina que pode levar esses pacientes à morte.
Segundo uma pesquisa coordenada pelo nefrologista Miguel Moyses
Neto, da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São
Paulo) de Ribeirão Preto, o consumo de carambola por pessoas com
insuficiência renal pode causar desde uma intoxicação leve, com
soluços, vômitos e insônia, até um quadro grave, com confusão
mental e convulsões.
Os pesquisadores avaliaram 32 pacientes que consumiram carambola
-duas avaliações foram retrospectivas, relacionadas a casos em
que as pessoas morreram- e concluíram que o tratamento mais
indicado para esse tipo de intoxicação é a hemodiálise.
Ainda de acordo com o estudo, não há relatos de que a carambola
possa gerar problemas em pessoas sem distúrbios renais.
Introdução: A neurotoxicidade induzida por
carambola em pacientes urêmicos
tem sido relatada com freqüência em pacientes submetidos a
tratamento dialíti-
co. Um número crescente de pacientes urêmicos em tratamento
conservador
também tem sido descrito, com alguns evoluindo para óbito.
Objetivo: Relatar
casos de pacientes com insuficiência renal crônica em tratamento
pré-dialítico
que ingeriram carambola, e também uma revisão da literatura
pertinente. Méto-
dos: Relatamos 4 casos de pacientes com insuficiência renal
crônica não
dialítica que ingeriram carambola. Os dados foram obtidos pelo
exame clínico
desses pacientes e também de seus prontuários. Resultados: O
sintoma mais
comum encontrado nos 4 pacientes foi o soluço incoercível.
Outros sintomas
também foram verificados, como vômitos, agitação psicomotora,
distúrbios da
consciência, convulsão tônico-clônica generalizada e agravamento
da função
renal por hipovolemia. No caso 1, o quadro clínico foi mais
grave, a paciente
apresentou convulsões no início e recobrou a consciência somente
após ser
submetida a 80 horas de hemodiálise. Os outros 3 pacientes se
recuperaram
sem intervenção dialítica. Conclusão: Pacientes com
insuficiência renal crôni-
ca, mesmo pré-dialítica, devem ser alertados para não ingerir
carambola. Esse
papel de advertência deve ser assumido pelos médicos,
enfermeiras e nutri-
cionistas principalmente, além de todos os envolvidos no
tratamento e segui-
mento de pacientes portadores de insuficiência renal em
tratamento conser-
vador ou dialítico. (J Bras Nefrol 2004;26(4):228-232)
Descritores: Intoxicação por carambola. Uremia. Neurotoxicidade.
Insuficiên-
cia renal crônica.
www.ssm.gov.mo/design/NEWS/DOCUMENT/009news20070314_PORT.PDF
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